Trovoada


Com uma folha de serviços repleta até mais não de nomes femininos satisfeitos sabia que era bom ou quiçá mesmo, o supra-sumo do milho. Fiava-se nos seus invulgares olhos azuis neste país latino e numa filosofia de alcova dada a todos os embates linguísticos.

Apresentaram-mo numa noite de copos e à vista desarmada se não era tal e qual aqueles que nos fazem cair logo ali e gritar Ai, Jesus!, andava lá muito perto. Com a agravante de conversar com nexo por mais de meia hora. Em resumo, dissesse ele uma só palavra e eu responderia amen pelo que mal tiniu o convite nos meus ouvidos zarpámos dali que eu não queria danificar o mobiliário exposto e não me pareceu apropriado consumi-lo no local.

Chegados a sítio mais abrigado atirei com a mala e os sapatos para canto como uma miúda aos pulinhos e deparei com a sua roupa toda ainda no mesmo lugar do corpo e o ar circunspecto de um pai que vai ralhar por uma asneira qualquer. Julguei que seria fetichista de sapatos de salto ou maníaco das arrumações mas ele estendeu-me um braço à volta da cintura, sentou-me na borda da cama e segurando-me um ombro com uma mão questionou se eu não me ia apaixonar, pois não?...

Peguei-lhe em ambas as mãozinhas, prensadas entre as minhas e com um sorriso e muitas vénias japonesas sosseguei-o, garantindo-lhe que a minha deixa era portar-me como São Tomé e pespeguei-lhe um beijo técnico antes de me calçar e sair de cena.


(porque hoje é o Dia Mundial da Meteorologia)


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