Absurdia (2) - Em nome do pai


O nome do pai fazia o silêncio nos rostos da mãe e dos avós como se ninguém o reconhecesse. Os rumores é que seria casado, com filhos e lá por ter espalhado uns milhões de espermatozóides num útero alojado numa carne fresca torneadinha não estava na disposição de abalar a paz do seu lar e de distribuir as suas posses pelo resultado de uma noite de pândega que isso seria como ir ao Casino e largar lá o dinheiro todo, tanto mais que nada a isso o obrigava.

Quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro e lá por ter ficado enfeitiçado pela enfermeira que o tratou, ela bem sabia que não estava autorizada a casar e insistir na gravidez era um passaporte do hospital para a lavagem de escadas.

Talvez por essas recordações que pairavam na casa dos seus avós ele fosse tão cuidadoso em comprar os preservativos e os óvulos vaginais numa farmácia longe de casa e em percorrer-me toda com as mãos espalmadas desde as faces às plantas dos pés, elogiando a macieza destes antes de em completo silêncio e reprimindo qualquer som gutural contorcer o seu corpo contra o meu suando angústias pelos poros.

Até que uma vez levantou-se logo da cama e correu ao seu casaco posto nas costas da cadeira a buscar o seu cartão de identidade e abrindo-o à minha frente frisou que só tinha um apelido e mostrou-me na linha de baixo, como um carimbo na carne dos talhos, a legenda filho de pai incógnito.

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