Sexta-feira treze

(Imagem © Julian Murphy)

Do Pragal não se sobe para lado nenhum, a não ser para o céu ou para uma cadeira de rodas se vier o azar de um projéctil alojado nas costas durante uma chuva de balas na ponte.

Mas aquele herdeiro de Fernão Mendes Pinto apregoado por toda a freguesia como o supra-sumo das especiarias em assuntos de cama e que, mais a mais, ele não desmentia, fez com que até numa sexta feira treze, eu deitasse as superstições para trás das costas decidida que estava a agarrar aquela estrutura. Maravilhavam-me as suas histórias e aquele porte de modelo fotográfico, bem escanhoado e bem vestido, um metrossexual a bem dizer.

Levei-o para o meu andar de topo de prédio a pretexto de olhar o Tejo e os braços abertos do Cristo-Rei e comecei a minha investigação operacional retirando-lhe a roupa de marca e expondo a geologia do seu corpinho. À vista desarmada, os seus pilares eram bem mais flácidos e moles do que ansiava e divisei o minúsculo betão que demorou três quinze dias para armar. Em prova tão esforçada registei que a sua mecânica de fluídos funcionava uma vez e ali acabava o projecto que a resistência dos seus materiais não permitia mais dissertação nenhuma.

Fazer dele o eleito e descobrir que à imagem de muita pólvora correspondia um pequeno rastilho, imbuiu-me da resolução de estudar engenharia para doravante calcular correctamente para além do brilho dos materiais, os métodos e a solidez com que se fazem as pontes.

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