Tensão pré-compras


De ora em diante só queria calças de botões. Ou pelo menos enquanto se lembrasse da dor aguda a rasgar-lhe a pele ao entalar e ao desentalar do inominável fecho éclair. Resolveu também desistir por tempo indeterminado da equipa de futebol para manter o físico aprumado e despejar uns pontapés já que como não há uma sem duas, nem duas sem três, se prevenia para o azar de uma bolada nos acólitos. E antes que ferisse mais o seu delicado corpinho e por forma a evitar a visão da sua carne ensanguentada, cortou cerce o suplício diário de fazer a barba e deixou-a crescer.

Pouco me ralou uns dias de barba crespa que uma boa base pela manhã disfarça as faces encarniçadas e até deu azo para insistir nuns abdominais para me sugar os seios quando abancava a minha bacia no topo das suas coxas para comprimir em andamento allegro a sua batuta esponjosa.

Mas nem o seu ar ora aflito e cansado ora irritadiço e resmungão me demoveu de uma recusa. Não ia eu calcorrear lojas de roupa masculina em busca das protectoras calças com botões porque para começo, não lhe faltavam os pezinhos e depois, nas situações de prevenção de catástrofe também não lhe exigia que me fosse comprar tampões.


(Foto © Paulo Valente/A.Z., 2006, Willy 1)

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