Kalua


O meu médico insiste em proibir-me o chocolate, excepto o preto. E chega a ser platónico quando adiciona a recomendação de um quadradinho de cada vez, como se fosse possível dar um beijo no canto da boca, no dia a seguir fazê-lo no bocadinho de lábio mais ao lado e assim por diante, até a língua chegar ao céu da boca após aturada salivação.

Claro que se estivesse no Darfur queria lá saber do chocolate que a situação preta de sobreviver na rua, de suportar o cheiro das diarreias que grassam nas crianças, de não ser violada pela tropa toda ou de não acabar morta pelos paus mandados do governo do Sudão ia encher-me as medidas todas.

Assim sendo vou telefonar ao docinho para saber se está disponível para se derreter comigo em abraços de pernas quentes ou para bater a preceito uma mousse dos músculos da pélvis polvilhada de beijos enquanto não somos indiferentes um para o outro.


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