Rupestre


Porque me obrigava a repeti-lo em vez de me deixar fumar o cigarro descansada?... Eu não o amava apesar de ser muito prático fazer sexo com ele que já estava a vagina moldada aos contornos do seu pénis e sabia de ginjeira que o caminho do indicador pelo meio dos seus testículos até lhe aflorar o ânus o excitava.

Talvez ele acreditasse que água mole em pedra dura tanto dá até que fura ou apenas estranhasse o sexo pelo sexo como atitude feminina. Eu insistia na vantagem de me conhecer apenas o lado lúdico sem as chatices quotidianas ou as queixas e beicinhos quando as expectativas saem goradas e ele calava que o moía a percepção de não me embebedar e desconhecer tim tim por tim tim o porquê.

E pondo como testemunhas os dois que a terra há-de comer declarou que eu me deliciava com o seu corpinho e só um cego não veria os meus esgares de prazer, só um surdo não ouviria os meus uivos e ronronices e se o sexo estava aprovado porque raio não me atestava de paixão.

Peguei-lhe no pénis já flácido e rolei-o entre os dedos como os primeiros homens faziam aos pauzinhos para produzir fogo e opinei que se o sexo melhora com a experiência acumulada, a paixão é uma prática mágico-religiosa.


(Foto © João Mota da Costa, 2005, Crucificada)

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