Sopa da Pedra


Posso andar para aí a saltar de cama em cama que não sou lapidada por isso. Apenas as seguradoras nos seus préstimos de saúde me exigem análises nos seus laboratórios para a minha heterossexualidade não lhes gorar os negócios.

E apesar disso há alturas em que sinto que me enfiaram uma burka na cabeça. A minha avó católica acreditava na salvação por mor de uns bentinhos de pano pendurados num nagalho bem aconchegadinhos ao peito tal e qual como o actual papa vem pregar pela igualdade entre homem e mulher dentro da família e no seu seio, é que nem ginjas que as mulheres são gente hierarquicamente de segunda como na democracia ateniense.

Isto lembra-me logo aquele gajo de bigode com quem troquei uns fluídos durante uns meses das nossas vidas, sindicalista acérrimo defensor de trabalho igual, salário igual, até perceber que quando ele entrava em casa, assim como pousava as chaves pendurava os ideais no bengaleiro e refastelava-se na distribuição de tarefa nenhuma que fazia-me o favor de me admitir igual em termos profissionais e dona da casa a nível doméstico. Como se isto não bastasse a sua crescente queda pela posição de papo para o ar e uma língua que cada dia trazia mais cansada desequilibraram ainda mais a correlação de forças e tive de lhe dizer, frente a frente, olhos nos olhos, que para montar burros preferia a ilha Graciosa.

(a imagem é uma sopa de fotos gentilmente enviadas)

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