Bela Adormecida


A matéria de facto, ao contrário do que nos impingiram por séculos a fio, é a que a cada 7 anos ela fazia uma cura de sono para esquecer o falhanço de mais uma relação conjugal.

Acumulava pequenas desilusões quotidianas ao longo de 7 anos, o sexo a dois perdia aquela auréola de descoberta e tornava-se um exercício repetitivo de ginásio que fazemos porque o que tem de ser tem muita força, apesar de mais espaçado para não cansar muito, até que uma discussãozita sobre optar por uma ida à praia ou ficar a aboborar frente a um dvd de um cineasta até conceituado a picava e ala moça para a hibernação na clínica.

A porra é que depois do sono voltava ao mesmo e bastava que um gajo a escutasse beijando-lhe o corpo todo com o olhar para voltar à antiga vida maravilhada por umas mãos que a percorriam como uma tigela de sopa quentinha acabada de fazer.

E foi neste ponto da tigela que decidiu comprar umas botas que a tornavam umas pernas cobiçadas e o engodo de inúmeras mãos motivadas para dar o melhor de si que à primeira todos vamos lá e garantir o quente pão nosso de cada dia. Tornou-se a Gata das Botas.

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