Flexi-seguro


Já cheguei ao vigésimo, amando cada um incondicionalmente como se faz com os filhos porque no meu dicionário o amor é uma dádiva e em abono da verdade, nunca quis sequer ler outros glossários e com isto tudo gastei anos a fio numa coreografia de boxe com os ciúmes dos familiares e amigos que cobravam a primazia das atenções que lhes pareciam devidas como as prestações de um empréstimo bancário.

Mas vejo que os tempos são de consenso, sem ondas, sem dúvidas, sem riscos e ou tenho a flexibilidade de me adaptar ou estou lixada com um efe muito grande pelo que decidi doravante apaixonar-me com temporizador. Como numa partida semi-rápida, dou espaço aos candidatos para esplanar o seu orçamento e faço a média estatística do seu sucesso futuro. Peso-lhes a predisposição para concordar com as opiniões da maioria e seguir as tendências vigentes. E no final do tempo dou uma olhadita ao polegar mas já predisposta a não desmoralizar se a medida do brinde fôr como os do bolo-rei antes das normas europeias os proibirem.

Afinal, a paixão é um luxo e sobrevivemos em seguros conjuntos de galheteiro com o estatuto que as casas, os automóveis e os apetrechos tecnológicos nos conferem perante os conhecidos.

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