O poder da boca



Tivesse eu tantas jóias quantos os broches que já delineei na vida e até ficaria tentada a abrir uma joalharia de design exclusivo. Não por um apego ao investimento nem ao aforro mas por uma sólida questão de amor a esta arte influente.

Quando um gajo se dispõe a colocar o que considera a sua maior riqueza, que em tempos designei como a jóia da coroa, à mercê de incisivos e caninos que o podem ferir, golpear e em última análise, trinchar em pedacinhos tenros, tenho na boca o poder de decisão sobre dar o prazer ou a dor. E à mão de semear todas as áreas sensíveis como a linha intermédia que divide os testículos até ao rabo e arrepia, os próprios frutos polposos para lhes apreciar a textura de pêssego ou de figo seco e o par de melões traseiros para manobrar como se fora um leme.

É uma conquista empenhada em cada centímetro ganho e gajo que é gajo agradece esse direito à preguiça, como o embalo de um bebé nos braços de sua mãe.

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