Parto tecnológico


Deu-me para matutar que em Portugal já é possível tratar de quase tudo pela net mesmo naquelas coisas mais básicas que nos enchem a barriguita e os olhinhos. Os hipermercados têm página de encomendas e até a bela pizza pode ser pedida através do computador.

E para tirar as misérias da outra barriguinha há sites especializados a dar com um pau, toneladas de chats para encontrar um espécimen para uma queca ao vivo e a cores, mais o msn e as suas câmaras para despachar a coisa no momento e sem o incómodo de sair de casa a ponto de até, em alguns casos, se terem prolongado tais contactos virtuais ou carnais até aos papéis do casamento com a respectiva transmissão da cerimónia on-line.

Ora é a partir deste ponto que falta acautelar o futuro para que os partos não continuem a ser a mesma coisa corriqueira e tradicional nas maternidades em que impõem às mulheres a aviltante prática do clister, lhes rapam totalmente os pêlos púbicos como se houvesse perigo de cairem na sopa e ainda lhes enfiam uma touca na cabeça apenas porque é norma do bloco operatório. Para já não mencionar o risco eminente de se apanhar um trânsito caótico ou uma estrada mais comprida e o parto ocorrer na ambulância com o bombeiral todo a assistir e a bater palmas.

Com as vastas fileiras de jovens especializados em call centers que possuímos julgo que falta apostar num serviço destes para fornecer comodamente todos os passos para um parto no conforto do lar e sem ter de sair da cadeira que se está acostumada a usar frente ao computador. Aliás, junto com o novo subsídio a grávidas devia ser atribuído um portátil com banda larga não vá haver alguma mulher que insista em dar à luz numa cama ou quiçá numa banheira cheia de água morna. Este avanço tecnológico seria um investimento no futuro tanto mais que para diminuir os custos de produção há sempre a hipótese de localizar os ditos call centers na China .


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