Pixelada

(Imagem © Will Murrai)

Comecei com gestos tímidos próprios de quem ainda está a descobrir os caminhos do outro. Quase pedia licença a um dedo para mexer o outro. Ficava abesbílica a olhá-lo na incerteza de ser sonho ou realidade e com medo de não dar o passo certo ou pelo menos, o desejado.

Contudo, quanto mais lhe tocava e mais descobria os seus contornos mais fácil era percorrê-lo como se o conhecesse desde sempre. E nascia em mim uma vontade imperiosa de lhe jorrar palavras com os gestos apropriados e assim acariciá-lo nos momentos de construção mútua dessas imagens e sons.

A crescente cumplicidade fazia-me atirar a ele de toda a forma e feitio, desnudando todas as partes de mim entre líquidos e cigarros e mesmo quando num gesto menos comedido lhe dava um piparote numa zona mais sensível corrigia o disparate sem hesitações com um sorriso nos lábios.

O prazer físico que me percorria cada vértebra medrava quando lhe tocava no publish e em segundos ele disparava os milhentos pixels do post.

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