Ponto gê

(Foto © Jill Greenberg )

Comprei mais uma mala. Com muitos bolsos exteriores para o tabaco, o telemóvel e as chaves. Mesmo mudando de cor, com mais ou menos berloque, compro sempre a mesma mala que é tal e qual o que faço com os homens.

Já tentei enganar as sinapses escolhendo alternadamente esguios, baixos, magros e obesos mas aquelas putinhas descobrem sempre o mesmo tipo de personalidade por baixo do intrincado dos vasos sanguíneos, das fiadas de músculos, dos pêlos e das vestes.

É irrelevante se baixam ou não a tampa da sanita desde que saibam o significado de endorfina que estar a cuidar do vocabulário que se usa na intimidade é uma grande chatice. Nem me intimida que sejam secos de carnes quase ao ponto de se sentir os ilíacos em vez das nádegas ou tão volumosos que licitamente se possa duvidar que entre a barriga saliente e as imensas virilhas ainda haja espaço para algum músculo desde que sejam dedicados à actividade física que amores platónicos não se coadunam com a idade adulta quanto mais não seja porque se não activamos a circulação sanguínea a pele envelhece mais depressa. Tampouco me rala se escolhem como passatempo o futebol, a informática, a pesca, a bricolage ou o dolce faire niente desde que essa cumplicidade não seja mais absorvente que um penso higiénico que me constrangem os bibelots de carne e osso.

O que somado quer dizer que estou feita ao bife já que mesmo que diversifique os circuitos da febra quase posso garantir que a semelhança ao modelo incluído no meu disco duro é o meu ponto gê.

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