A queda das 10 folhas


O Leonel desafiou-me a confessar os 10 livros que mudaram a minha vida e abstraindo-me daqueles cujas dedicatórias escritas à mão me marcaram mais que o conteúdo do livro propriamente dito, sigo para mais um streap tease em que à frente de todos deixo cair as folhas que me adubaram a árvore que sou:

1 - As Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira, porque passei a acreditar que era possível escrever para crianças sem as tratar como menores;
2 - Todos os Astérix de René Goscinny e Albert Uderzo, porque convenci-me que a banda desenhada é educativa;
3 - Os Putos de Altino Tojal, porque a partir dele passei a ter um impulso irresistível para escrever mais que as redacções para a escola;
4 - O admirável mundo novo de Aldous Huxley, porque me levou a aceitar que valia a pena ler traduções pelo conteúdo da história;
5 e 6 - A Relíquia de Eça de Queirós e Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, porque passei a copiá-los furiosamente pensando "quando fôr grande quero escrever como estes gajos";
7 - Delta de Vénus de Anais Nin, porque me abria o precedente de que o erotismo não é exclusivo da escrita masculina;
8 - Para Acabar de Vez com a Cultura de Woody Allen, porque me fez concluir que o humor é um ingrediente para misturar em tudo;
9 - O Dia dos Prodígios de Lídia Jorge, porque aí percebi que a pontuação era aquilo que quiséssemos que fosse;
10 - A Adília Lopes, porque me revelou que misturar a erudição com o corriqueiro e o kitsch também é literatura.

E passo o raminho da paz- para não me darem com ele na cabeça ou quiçá em zona mais sensível- ao José Quintas, ao Erecteu, à Vanus, ao TOM e à Elipse.

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