Adrenalina-me


Tenho muitos defeitos de fabrico e já o meu irmão que me conhece desde que nasci me considera instável mesmo que eu rebusque a situação traumática de ele ter sido brindado com uma mijinha logo na primeira vez que me mudou as fraldas.

Sem nada debaixo da mesa estou aqui a dialogar com esta cerveja porque me afasto de cada homem quando se lhe acaba a adrenalina e não tenho paciência para os fazer pegar de empurrão mesmo que no sexo seja muito dada a provas orais como um escanção que bochecha para aquilatar a qualidade do vinho e meta as mãos na massa para levedar o cacete nosso de cada dia.

A seca começa quando como no refrão do Jorge Palma a interacção se resume a um insistente e irritante encosta-te a mim. Quando os beijos descambam para uma carimbadela e sem saliva. Quando o telefone ou as sms a desoras não cantam amanhãs.Quando o silêncio é a manta da preguiça. Quando a cópula é uma receita decorada de um livro de culinária a que não falta nenhum passinho por ser prato do dia todos os dias.

Apesar de julgar que nasce por uma questão de segurança, custa-me a proliferação deste vírus de perca gradual da adrenalina no género masculino que os deixa sem nenhum factor competitivo face ao mais simples vibrador.




E cheios de adrenalina, o Alcaide e a Fausta Paixão desataram ao desafio em balão de rimas que aqui podemos degustar:

A prova

Instável ferve o mosto no lagar
que as uvas de tão doces me darão
sabor que deste vinho o escanção,
bochecha com prazer para provar.

E sinto que vai ter bom paladar;
mastiga-se cacete de bom pão
(para fazer a boca de antemão)
depois beber seguido sem parar.

Nem tubo de borracha para trasfega
que vamos ter um pipo, coisa fina,
tontura deste néctar que me cega.

E eu canto nesta rusga, minha sina,
bebedeira na cama que aconchega...
Encosta-te a mim...Adrenalina!

Alcaide


Sem querer concorrer com quem tão bem
O pipo alinha em belas palavrinhas
Direi, assim à pressa e sem pensar
Que há bem melhor que coisinhas fininhas;

Mastigar cacete de bom pão
E beber de seguida sem parar
Digamos que é gostoso, mas melhor
É malhar em bom ferro sem parar.

Fausta Paixão


Ah! Fausta...que no ferro então malhemos,
com paixão e com malho, este sem rima,
martelo bate baixo ou até por cima,
que bata sem parar e se o podemos...

E que o ferro fique em brasa e então molhemos
de água fresca ou champanhe, o que se arrima,
e bebamos da pipa que me estima
Maria, Fausta, Alcaide e então cantemos...

Vá..."Encosta-te a mim"... se fores capaz,
que vibre forte e feio e com calor
que eu vejo e ouço a cena que me dás,

enquanto o malho bate com ardor
outro vibra e trabalha qual rapaz,
e os sonetos vão saindo, com amor!

Alcaide

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