Bom ambiente


(no âmbito do Blog Action Day )







Tão asadinho era que nem deixava aroma na casa de banho em virtude de ser vegetariano e um convicto adepto de sojas e tofus que lhe moldavam o corpo sem pneus gordurosos nas nádegas ou coxas nem a projectarem-se do umbigo em camadinhas para obstruir a visão do símbolo da masculinidade.

Interiorizara um comportamento ecológico de tal forma que para além de não deixar o lixo em qualquer canto da casa à espera que alguém o colocasse no caixote ainda o distribuia consoante os atributos para o embalão, o vidrão, o papelão e consertava qualquer torneira mal começasse a pingar.

Habituámos-nos a tomar banho juntos neste verão em que nos conhecemos e a religiosamente fechar a água enquanto nos ensaboávamos para nem uma gota se desperdiçar. Quando a temperatura começou a descer e sem a água a produzir vapor contínuo pelas paredes comecei a tiritar e nem as suas esfregadelas vigorosas pelas minhas costas e omoplatas me afastavam a sensação de tortura com os pelitos todos a erguerem-se a rogar por calor de tal forma que só sexo na banheira me reactivava a circulação sanguínea após o que só aguentava 5 segundos de duche: dois para molhar, um para espalhar o gel e dois para o retirar.

E como até sou pela poupança da água que ela não é elástica para esticar infinitamente e também adoro sexo e banho diários fui-me ao Google Maps à cata de um país tropical para emigrar desde que cheio de ananases e cocos para comer e um calor intenso e molhado a massajar a pele.

(Foto © J.P. Sousa, 2007, X files)

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