Red Bull


Ninguém negaria que ele era um homem temente a Deus tantas as vezes que referia que rezava e que casara na igreja e pelo que cuidava em se despedir com um até amanhã se Deus quiser.

Mas os seus olhos amarfanhados apelavam a confortá-lo com algo mais do que palmadinhas nas costas com o jeito de dar de beber a quem tem sede. Armei-me em Madre Teresa de Calcutá e no fim da bica tomada no canto do fundo do café enrosquei as duas mãos no seu pescoço e preguei-lhe um beijo enfiando-lhe de sopetão a língua boca adentro e ele apenas torceu a dele na minha à laia de duas toalhas de rosto no tambor da máquina de lavar. O diabo é que o seu corpo tremeu como se as suas crostas se deslocassem e quiçá a minha púbis projectada contra o seu anjinho esponjoso de asinhas insufladas num movimento pendular das ancas tenha sido lava para lhe abalar as estruturas.

Ele sorriu sem uma palavra quando me encarou mas cortei a direito o silêncio que não era hora para longos planos à Manoel de Oliveira e confessei que me sentia como a REN, já que a bem da saúde de todos era urgente enterrar as linhas de alta tensão e nem lhe facturava isso.

[Foto © Maria Flores, 2007,
On Being an Angel III]

0 comentários: