Castelo de Guimarães


Benfiquista desde pequenino que o pai mal saiu do registo civil correu a fazê-lo sócio, o Eduardo era uma reserva segura dos portugueses do início da década de 50 em óptimo estado de conservação a quem as cãs apenas exacerbavam o charme do rosto.

Daqueles que abrem a porta para as senhoras passarem primeiro sem denotar que aproveita a ocasião para lhes galar o traseiro. Dos que puxam a cadeira no restaurante e depois de nos sentarmos ainda ajuda a ajeitá-la sem mostrar que desse ponto de observação elevado tem uma visão mais completa do parapeito feminino. Um daqueles cavalheiros que carrega uma flor para oferecer em cada ocasião certo de que todas as mulheres as adoram e não vale a pena distingui-las com nada diferente. Dos que nos medem com o olhar a pensar marchava, ai senão marchava mas nos verbalizam um comentário sobre o tempo ou sobre o ambiente do local e conseguem manter uma conversa sem nunca falar de política ou religião.

Acredito até que era daqueles que interiorizara que tinha de ser bom chefe de família e só por aí entendo que me telefonasse nos dias dos encontros para me indicar a roupa a vestir, que no restaurante pegasse na carta de vinhos e me informasse do tipo e da marca que íamos beber, que em minha casa alvitrasse insistentemente sobre a disposição dos móveis. E tive de o despachar para uma outra guerra porque não precisava de um fundador para alterar o meu estado de solteira.


[Foto © Paulo Rebelo Loriente, 2008, Londres (Windsor Castle)]

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