Mosteiro de Alcobaça



O Afonso detinha uma técnica apuradíssima de me colocar a cereja em ponto de rebuçado pelo que se fosse obrigada a notá-lo colocava-o de caras no patamar do dezoito, sobretudo, porque dar-lhe mais poderia ser contraproducente e até desmotivá-lo a prosseguir empenhado.

Amassava a fruta com a erudição dos monges num cuidadoso palmilhar da cara ao baixo ventre, com dedos sabedores da pressão necessária no eixo central do pescoço a escorrer pelas costas até aos montes nadegais e uma língua provadora a aferir no lóbulo da orelha e nos mamilos a crescer o ponto de doçura do momento. E tão forte como os construtores de mosteiros, encaixava a prumo a sua pedra basilar erguendo as minhas mamas a parede do seu nariz alicerçada no chão das suas mãos ora entraçadas ora flutuantes na carne que me cobre os ilíacos.

Como um gourmet saboreava devagar todos os pitéus preparados pelo que mesmo fora da cozinha e sem avental me saciava os palatos.

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