Seven-Up

[ a propósito da revelação do Dragoscópio]







Tudo somadinho acabei de ganhar meio lugar no céu e posso orgulhar-me dele. Sempre que posso dedico-me à nobre arte da preguiça, de nada fazer a não ser contemplar as coisas boas do mundo, salvo nos momentos em que me assalta a gula de comer uns camarões na chapa com um Alvarinho fresquinho ou um cabrito assado à padeiro regado com um poderoso tinto do Luís Pato ou quando me assola a luxúria de marinar o meu corpo nos fluídos de outro, virando e revirando-me para ficar tudo bem ensopadinho, com a assumida avareza de nesses instantes lhe chupar toda a energia e calor até à medula. Até me dou ao luxo de ficar verde de inveja por não ter o corpinho da Angeline Jolie e não me refogar em lume brando com o monumento que é o Pitinho e irritar-me vivamente com essa injustiça fazendo um rol de manguitos e de indicadores esticados guarnecidos com preciosidades do mais fino calão começadas pelas letras efe, cê ou pê.



Na ignorância de que o Vaticano faria um upgrade do perfil dos pecadores, dou agora por bem gasto o tempo que despendi em conhecer todos os métodos anticoncepcionais para evitar um aborto que agora me dá mais pontos tal como o facto de não me abastecer sexualmente de menores. E como também não me fiz médica para experimentar manipulações genéticas ou receitar drogas aos pacientes aumenta o acumulado. Falta juntar a minha boa acção diária de separar criteriosamente o lixo para a reciclagem e mais a mais, como não participo em nenhum governo o que me excluí de causar injustiça social e pobreza em prol do enriquecimento obsceno dos seus membros ou apaniguados, basta abdicar da minha individualidade para que a entrada no céu seja tão fácil como saltar à corda.









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