Ver Braga pelos Mão Morta



Dez anos depois de nascerem, os Mão Morta editaram Vénus em Chamas, exibindo na capa como ídolo não uma mulher graciosa que dança em vez de andar mas uma figura aflita porque lhe ardem os pés do deserto. É neste álbum que incluem o tema Champanhe Quente & Caviar:

Se gostas de chupar,

De champanhe quente e caviar,

Junta-te às nossas tertúlias de fim de tarde.






E há dez anos atrás, voltaram as figuras femininas às suas capas, desta feita com manequins em elegantes e esvoaçantes vestidos para ilustrar o título Há muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável e de onde destacamos a faixa Tetas da Alienação:



testemunha ocular da miséria mental que é mistificar a tristeza banal de viver a juntar tanta coisa vital para a vida vulgar parecer divinal e com isso ocultar a pobreza real de um gesticular reduzido a sinal não consigo calar a origem deste mal que nos anda a atacar a todos por igual tudo assenta no consumo e produção são as tetas desta nossa alienação trabalhar ou morrer é-nos dado escolher o trabalho é direito transmutado em dever não se pode morrer já lá diz o preceito e se formos a ver não há nada a escolher para sobreviver o trabalho é foral não morrer consumindo não se chama viver o consumo é o aval para se ir produzindo e com seu acrescer fecha o ciclo infernal tudo assenta no consumo e produção são as tetas desta nossa alienação são as tetas o consumo e a produção são as tetas da nossa alienação



E hoje em dia que já passaram dez anos duas vezes e mais quatro anos, os Mão Morta pegam nos Contos de Maldoror do Conde de Lautréamont, nick de Isidore Ducasse para um espectáculo que mistura o vídeo e a representação com o concerto. Em exibição nas noites dos próximos dias 7 e 8 (6ª e sábado) no Teatro Viriato de Viseu.







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