Humildade relativa do ar



Eu até sou um gajo prafrentex que compro a Visão e tudo, sobretudo quando traz filmes e até leio na última página a crónica do RAP completa. Mas tenho de pôr esta gaja a andar que me dá cabo da moleirinha.

A gaja tem opinião sobre tudo, o que vá lá, até pode ser uma coisa normal mas fá-lo com uma tal assertividade que é uma palavra cujo significado aprendi há pouco tempo com ela e não me sai agora da boca que me chego a sentir pequenino no meu metro e oitenta de altura. Não sei explicar mas não há ali uma pontinha de humildade, uma maneira de dizer em que quase se pede desculpa por o afirmar e se estende a quem ouve uma passadeira para mostrar que sabe mais sobre a matéria. Bem sei que quando erra é a primeira a puxar o assunto para o reconhecer mas até isso já me irrita porque bem que podia ser hipócrita e escondê-lo para me dar a oportunidade de ser eu a levantar a lebre e a brilhar. Sei lá o que é mas falta de modéstia é com certeza.

E depois, não é que eu queira que ela ande na rua toda tapada como as islâmicas que sou um gajo aberto mas a ousadia dos seus decotes e as saias e as calças que escolhe parecem propositadas para lhe destacar o rabo e fico a matutar que se eu vejo, todos os gajos vêem e sei lá o que vão pensar disso, capazes até de bater uma à conta dela como se ela estivesse disponível e não fosse minha. Como quem não quer a coisa já lhe fiz alguns comentários ao que usa mas ela como quem bebe um copo de água retrucou-me com um sorriso irónico que me entendia mas como não dava palpites sobre a forma como eu me me vestia aceitando as minhas escolhas ela tinha direito ao mesmo.

Mais a mais, tem ainda o péssimo costume que a princípio eu até achava graça de me apalpar o traseiro na via pública e todos os dias mostra vontade de, o que à partida é o sonho de qualquer gajo desde que não fosse sempre a primeira a fazê-lo sem me dar hipótese de saborear a sua conquista e isto tudo somado, martela-me os nervos todos os dias.



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