Lagarto, lagarto, Carolina!

(imagem daqui)

A Carolina nasceu berlinense no meio do século XIX, uma época em que o uso de saias era um lagarto-papão assustador que impedia o acesso ao ensino superior pelos que os seus paizinhos contrataram professores particulares para lhe ministrar línguas românicas, eslavas, semíticas, árabe e literaturas clássicas no recato do lar.

Próximo dos seus 25 anos estalou uma polémica sobre a tradução portuguesa de Fausto em que foi quase necessário pedir para não se bater mais no ceguinho e esse facto fez nascer uma troca de correspondência entre ela e o tripeiro Joaquim de Vasconcelos que como nas histórias felizes e de céu azul acabou em casamento, com apartamento na Rua da Cedofeita, um filho no ano seguinte e o nome dela redigido como Carolina Michaelis de Vasconcelos.

Ficou neste cantinho à beira-mar plantado e dedicou 27 anos da sua vida a preparar a edição do Cancioneiro da Ajuda. No ano seguinte à implantação da República foi convidada a leccionar na Faculdade de Letras de Lisboa e ao aceitar tornou-se a primeira professora universitária em Portugal. Na mesma altura, depois de aturadas discussões e melindres masculinos a Academia das Ciências de Lisboa lá aceitou que ela e Maria Amália Vaz de Carvalho fossem sócias.

E dez anos antes da sua morte e onze antes da implantação do Estado Novo viu o seu nome ser colocado na fachada de um Liceu exclusivo para meninas, escola que já neste século, não sei se por graça do Senhor de Matosinhos se da Senhora da Boa-Hora se estendeu à estação de Metro mais próxima.


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