Matemática da intimidade


O Rui Pedro Lima desafiou-me a uma contagem de espingardas em matéria de desempenho na guerrilha da cama e artes associadas e como até gosto de matemática aqui deixo a análise do conjunto.

Convém desde já ressalvar a actuação do primeiro que nessas circunstâncias adversas cumpriu com eficácia a missão de me libertar dos clube das virgens recebendo a minha ignorância prática na matéria e a consequente incapacidade analítica.

Consigo avançar o facto de 38,4 % do pelotão ressonar embora, considerando o meu sono de pedra que bem pode trovejar que não acordo seja difícil a fiabilidade dos dados para aqueles que tinham a bondade de adormecer depois de mim. Indesmentível mesmo é que 30,7% dos homens ocupavam bastante mais largura de cama do que eu.

É também visível no agrupamento a tendência para a erosão dos tempos dos preliminares em prol da progressiva rapidez da execução da tarefa e se a maioria eram uns gatinhos a sorver leite da tijela, de linguita de fora e em alguns casos, umas autênticas esfregonas a querer despachar serviço, certo é que 30,7% eram exímios a sintonizar-me o botão na frequência adequada ou se quiserem, eram uns mestres escultores do clítoris a golpes de língua.

Contas feitas, tenho de admitir que 46% se ficavam pela mediania, o trivial bem feitinho e vá lá, tendo mesmo aconselhado metade desses a abandonar a actividade e a dedicaram-se a coisas de menor esforço como a pesca ou a frequentarem acções de formação. Dos restantes 54% sublinho mesmo que 15,3 % eram aquilo que toda a gente chamaria uma boa queca e nesse sentido os recomendaria a todas as minhas amigas porque estes 54% são os artistas completos na dedicação com que se entregavam a conseguir um prazer cúmplice com preliminares de horas começados à mesa, no cinema ou num simples beijo íntimo de bom dia com ramelas nos olhos e sabores pastosos na boca.

Como na matemática, acredito que quanto maior é a intersecção de dois conjuntos maior é a sua intimidade e sintonia e atendendo ao facto de o meu órgão sexual ser o cérebro privilegio na classificação aqueles que aí me despoletam a vontade de activar outras partes do corpo.

[Foto © Roberto Santorini, 2007]

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