Mosteiro da Batalha


O Guilherme era um enérgico arquitecto na vanguarda das simetrias arrojadas e materiais inovadores que tanto empunhava um lápis como um computador em cada projecto, sem se esquecer da construção dos modelos reduzidos à escala.

No sexo mostrava arrojo nos equilíbrios precários contra a parede suportados com a ajuda de mãos e na forma de se segurar na minha cintura estendida quando as suas coxas me roçavam as nádegas no vai e vem das suas pernas flectidas. Abria as pernas num ângulo de noventa graus para me dar acesso ao seu capitel e de quando em quando pendurava-as nos meus ombros para me emoldurar os cabelos.

Só que naquela posição básica e por mor do maldito espelho do tecto que ele considerava o remate da capela do quarto, ao ver as suas nádegas rechonchudas a abanar, como se fosse um cão ladino a escavar freneticamente em busca de um osso, desconcentrei-me e soltaram-se umas gargalhadas desbragadas que se bem lhe comprimiam o tronco peniano com quem diz anda lá vem-te lhe insuflaram uma raiva própria de quem vê o bife a espapaçar-se no chão. Desde aí passou a preferir tectos de estuque branco.

[ Foto © J.P. Sousa, 2007, Merge ]

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