Travagem às quatro rodas


Tenho uma panca por renôs-quatro vá se lá saber porquê mas quero crer que tem algo a ver com a manette das mudanças e o jeito de as meter. Ele até subiu várias pontos na sua cotação quando me mostrou ser o feliz possuidor de uma dessas relíquias que recebera de herança do tio que com ela tinha entregue muitos bouquets, palmas e coroas de flores.

Mais a mais que era só esperar por uma hora com pouco afluxo de vizinhos para a apreciar integralmente na garagem do prédio. Claro que o veículo estacionado gingava e a sua idade contribuia para se desunhar numa chiadeira não desprezível que algumas vezes encaminhou um ou outro vizinho mais curioso a encostar os olhitos às janelas e após observação das manobras no banco traseiro se afastou pé ante a pé descortinando a necessidade de manutenção da viatura ou talvez indeciso sobre a cara a colocar num próximo encontro no elevador comum. Uma vizinha que seguramente o apanhou de costas e se encantou com o forro das nádegas chegou mesmo a bater-lhe ao ferrolho para lhe solicitar uma visita à viatura mas isso são amendoins.

Um dia deu-lhe a vontade de arriscar nos bancos dianteiros e eu lá me encavalitei com uma perna em cada banco e as mamas debruçadas como que num parapeito e para a frente é que foi caminho que as marchas à retaguarda são apenas estratégia. Até ele soltar um ai fundo e assustado que me arregalou os olhos ao julgar que era uma cãibra no seu carrinho de rolamentos. Nada mais errado que tinha sido apenas uma marcha atrás descontrolada e em força que permitira à manette das mudanças introduzir-se-lhe naquele espacinho traseiro em que as duas nádegas não se encostam e por aí se ficou. Ele retirou-se rapidamente para o lugar do morto, murchinho, a argumentar que estava na altura de mudar de carro.

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