Vidómetro

Iniciamos hoje a rubrica Vidómetro que pretende avaliar o desempenho de vida de algumas mulheres, ficcionado à maneira de José Hermano Saraiva e com o desembaraço de nem eu precisar de ser titular de um percurso semelhante para proceder à avaliação.


Hoje falo-vos de Públia, uma mocita recatada e muito dada ao estudo ao contrário do que algumas mentes mais perversas poderiam querer indiciar pelo seu nome, tanto mais que também era Hortênsia, flor delicada e viçosa como a vila em que nascera em 1548.

No entanto e apesar de não ter um pénis de nascença tinha uma queda para as coisas públicas e apesar de saber de ginjeira que a taberna e a escola eram locais vedados às mulheres ainda adolescente resolveu desenrascar-se e disfarçou-se de homem dias e dias a fio para poder frequentar o ensino público. Mais tarde, quando Filipe II já se tinha instalado de armas e bagagens em Portugal, Públia Hortênsia de Castro ignorou qualquer ligação entre a língua e a sua boca do corpo e na presença do rei teve a coragem de defender de viva voz algumas conclusões teológicas suas, no que até se saiu bem porque passou a receber uma tença anual do monarca que lhe permitiu continuar a fazer poesias em latim e português.

Ainda em vida sepultou-se no Mosteiro das Agostinhas, em Évora, onde viria a falecer no ano de 1595.

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