Dar o berro

(Comentário do Bartolomeu em casa da Fábula)



Pois, tenho um amigo que é um verdadeiro mestre na arte de peidar. Na verdade, o gajo consegue fazer música com a peida. Há pouco tempo, após um jantar em que se degustou uma tradicional feijoada, ele brindou-nos com a ária de Flauta Mágica de Mozart, "A Rainha da Noite". Foi extasiante e asfixiante a performance daquele cu, de tal forma que tivemos de sair todos para o jardim e aplaudimos dali. Eu imagino um concerto em parceria com a orquestra da Real Academia de Viena, onde o cu do meu amigo, substituísse tanto o trombone como o clarinete.

"Dar o berro", esta expressão lembra-me uma rapariga que faz parte do mesmo grupo de amigos, onde o peidão está incluído. É a Clara. A Clara é aquele género de rapariga que todos designam por fixe, bacana, 5 estrelas. Para além de cómica, está sempre disposta a ultrapassar barreiras e a aceitar desafios. Quando a Clara entrou para o grupo e "admirou" pela primeira vez a arte peidona do outro, decidiu imediatamente que o iria imitar e superar. Superar, porque apostava que consegui melhor, mas não com sons saídos do cu, mas sim da patareca.

A afirmação caiu como uma bomba no meio da assistência e de imediato se formou um círculo em volta da Clara, a fim de testemunhar tamanho fenómeno. Clara não se inibiu, com um sorriso desafiador baixou lentamente as jeans, depois enfiou os polegares no elástico do fio dental, espetou o rabinho, deu meia dúzia de sacudidelas para a esquerda e a direita e levou a cuequita até ao tornozelo, assim, depois de libertar totalmente o aparelho musical, deitou-se em cima da mesa para todos poderem confirmar que não iria haver batota e iniciou um set de movimentos abdominais e pélvicos, preparatórios do "evento". Fez-se silêncio absoluto na sala. Para todos, Clara naquele momento era unicamente vagina, os olhos e ouvidos dos circunstantes concentravam-se a 100% naquela fenda depilada e aguardava-se com o máximo de expectativa o soar da melodia prometida. Passaram-se alguns segundos, depois minutos, Clara contorcia-se, pernas abertas ao máximo, o rosto congestionado pelo esforço e, quando todos começaram a perder a esperança de ouvir, saído das entranhas de Clara, algo que pudesse, como fora garantido suplantar a arte do peidão... Clara guincha, estremece e abrindo mais ainda as pernas, solta, não uma melodia, um assobio, ou um simples som, mas sim... um tremendo e gutural BERRO!!!

O António, cuja profissão é crítico musical, encolheu os ombros, voltou costas e declarou... Bahh, deu o berro!


[Escultura © Yuliya Lanina, 1999, Pussey flambé, fotografada por Fred Hatt]

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