Os alcatruzes da nora

Os alcatruzes da nora
Andam sempre a dar e dar.
É para dentro e pr'a fora
E não sabem acabar
Fernando Pessoa


Foi engraçado encontrá-lo. Mais magro que a rodagem a uma nova gaja sempre ajuda a repor a linha juvenil. Encaminhava-se para o mesmo destino que eu e até fez questão de retirar os auscultadores dos ouvidos para conversarmos durante o caminho.

Sozinha sinto a alegria de fazer o que me dá na real gana sem os ruídos incessantes das discussões sobre quem não fez o quê, da cobrança na distribuição de atenção por ele e toda a outra gente que eu conhecia e do eco dos meus pensamentos a bater nos auscultadores dele. Ele comentou o folclore do futebol a encher as televisões e até esperou para ouvir a minha opinião.

Não quero ser a tua queca nem a tua mamã e o melhor é dividirmos tudo a meias e está o caso arrumado foi o meu Ipiranga que jóias da coroa há muitas. Ele despediu-se com dois beijinhos bem carimbados e o convite para almoçarmos juntos emoldurado num sorriso olhos nos olhos e uma mãozinha pousada no meu ombro que me fez escangalhar a rir e dizer-lhe que como queijo mas não sou a próxima.



[Foto © Emanuel Oliveira, 2008, Killing me Softly]

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