O melhor dia para casar

Ao Garfanho, meu muso dos diálogos







- Tu não me digas que é pelo vestido...

- Olha o disparate!... Como se fosse isso que me importasse. Pareço-te assim tão fútil?...

- Não... e por isso estranho tanta insistência no casamento. Tens medo que fuja?...

- Ó meu menino, não acordámos que se pode dar umas voltas por fora desde que se use, sempre, o preservativo?... Então, diz-me lá onde está o medo!...

- Pois... mas já te disse que há outras formas legais de assegurar a transmissão de património e tu permaneces irredutível.

- Ó homem, é o simbolismo da coisa, não vês?... O direito de partilhar publicamente e em festa, a nossa relação. De mostrar que tenho orgulho nisso.

- Não te sabia tão exibicionista e vamos gastar uma pipa de massa que os casamentos custam os olhos da cara.

- Se fosse o olho do cu já não te custava, está visto!...

- Ó minha vaquinha, tu queres é que te pegue ao colo e te encave já, não é?...

- Digamos que é um bom começo... para depois, mais calmos, discutirmos qual o dia do nosso casamento em Espanha, ambos maravilhosos, em smokings brancos, com calças sem fechos nem botões para não as rebentarmos logo... com a comoção.







[Foto © Paulo Rebelo Loriente, 2007, Amar]

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