Felina


As pedras de gelo tiniam no copo e ele estava como eu mais gostava. Sentado. É que era alto, tão alto que para me beijar descrevia com a coluna um enorme arco flexível maior que o da Ponte da Arrábida que me catapultava logo para quando em miúda me esticava toda para dar umas folhas à girafa no Jardim Zoológico.

Com um qualquer felino coloquei-me em posição de ataque, os olhos fixos nele, as pernas tensas com as mãos alapadas nos joelhos a ajudar o balanço das ancas e coxas em frenesim ora para um lado ora para o outro até ele sorrir como quem nem aí tinha o sentido e gingar a frase típica do és giraaaaaa arrastando a última letra como se a sua língua estivesse em pleno sexo oral.

Em dois pulos, alcei-me para o seu colo e ajeitei-me mais para a frente porque estas cadeiras de rodinhas que desgraçadamente se usam frente ao computador dão muita instabilidade e que raio, se tinha tido o cuidado prévio de envergar saia sem cuecas não ia desperdiçar agora a sensação pélvica do crescimento do objecto de desejo mesmo que sob a diáfana capa dos calções de casa.

Informei-o então que como supunha que os seus óculos não eram inquebráveis como os das criancinhas os ia retirar para acelerar nele confortavelmente, tanto mais que lambidelas cara abaixo e orelha acima e bafos quentes de respirações ofegantes lhe poriam as lentes num nojo.

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