Na crica

[Ilustrações © Gerda Wegener]

Marradas Na Crica


Marrei-lhe na crica docemente
Como que embalado pelo mar
Fiz com a língua um minete
Pediu-me para não parar

Busquei-lhe o grelo, faminto
Chupei bordas, lambi cu
Nem imaginas o que sinto,
gritou-me. O meu desejo és tu

Sem com as marradas parar
Rodei sobre os cotovelos
Toma o sardo p'ra mamar
Faz-me um dos teus broches mais belos

Aumentaram as marradelas
Inundou-se a bela crica
Encheu-se a boca dela
De farta esporra, bela e rica

Estremecemos, apertámos
Soltámos longos gemidos
E por fim ao separarmos-nos
Notámos que estávamos fodidos

À volta do carro já estava
Uma multidão de mirones
Uns até já se preparavam
para exibir os "microfones"

Veste-te disse-te à pressa
Enquanto saltava po volante
Se hoje nos livrarmos dessa
Vou botar uma vela ao santo


Voltar a Marrar

Crica é fogo que arde só de ver
É ferida, fogueira mais que quente
É um contentamento cá da gente
É foda que se dá já sem poder

Crica é fenda que queima só de ver
É um andar desejoso de lamber
É rebolar na cama e não dormir
É marrar fortemente até se vir

É um querer estar dentro e não sair
É beijar, morder e apertar
É ter com quem marrar até faltar
O céu a terra e todo o mar


Alfredo, Marradinhas na Crica, 2008


E o Paulo Vinhal também quis opinar:
Crica é a insónia do meu caralho,
rolar no ninho e assobiar no mato.
É boa febra que não vem do talho
e não ir ao cú logo no primeiro ato.


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