Cameliana


Ai Jesus, que assim me livras de responsabilidades, sou tão ridícula quando feita menina arredada do pó até à última unha do pé me armo de garfo e faca para comer frango ou sardinhas na brasa contrariando até os ensinamentos da Paula Bobone embora tenha de convir que só engulo um apelido daqueles em determinadas circunstâncias.

Sou tão ridícula quando preciso visceralmente de comprar trapos ou livros ou cd's ou dvd's para me sentir viva como se a acção de diminuir o saldo do cartão introduzindo-o ou esfregando-o pela ranhura do terminal multibanco fosse tão estimulante como quando se percorre a textura de alguém a descobrir-lhe os pontos que desferem um arrepio na espinha com a cumplicidade dos seus olhos e dos trejeitos da boca a emitir como uma antena repetidora a continuação da missão.

Sou tão ridícula quando não experimento a roupa nas lojas para não perder tempo, crente fidelíssima que todas as marcas utilizam a mesma bitola para os tamanhos e nas ocasiões de um primeiro encontro com um gajo visto e dispo peças atrás de peças como se não soubesse de antemão que o objectivo final é retirá-las do cenário.

E depois, fumo Camel.

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