Dança Primitiva



Texto: Carla
Voz: Toze

quero que me sintas sem que eu te toque

as palavras em silêncio desassossegaram-no
não a tinha visto entrar e só nessa altura se apercebeu que ela trazia consigo a sua música preferida
sorriu ao seu olhar e admirou o negro em contraste com o alvo da sua pele
deixou-se preguiçosamente escorregar no sofá ao som das palavras que lhe colocavam brasas nas mãos suavemente
mais adivinhadas do que ditas provocavam-lhe um saboroso formigueiro no ouvido que se estendia a todo o corpo
a música enrolava-se na promessa que ela lhe fazia em pequenos sopros de um vento tardio de verão
eram como quentes beijos que ele tão bem conhecia
percebia agora o que ela lhe tinha dito
nunca tinha tido o seu tacto tão intenso apesar de não o estar a usar
adivinhava o toque que se desenhava na sua pele
o arrastar da língua nas veias salientes do seu discurso
as palavras que ela colocava ao seu ouvido ao som da música
o aroma embriagante que tão bem conhecia e que o enlouquecia
pequenas gotas de suor ardiam-lhe na testa
olhou-a guloso e viu o seu corpo mover-se ao ritmo da música
as peças de roupa caíam lenta e suavemente no chão fresco
aquele sensual bailado desenhava formas que ele não imaginava existirem
mil e um dedos inexistentes percorriam-lhe o traçado do corpo
e levando a sua excitação a um grau para além do suportável
musicalmente houve ritmo e ela aproximou-se como uma onda rebelde que o envolveu num redemoinho de emoções

encontraram-se como se o sexo fosse uma dança primitiva
que os seus corpos nunca esqueceram

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