Foi em Setembro...

[Foto © Patologista, 2008]

Do Douro conhecia melhor o aroma do Cabeça de Burro mas ela tanto insistiu que lá nos inscrevemos num daqueles programas turísticos em que até nos permitem vindimar de chapelinho na cabeça não vá uma bátega de sol esquentar-nos a moleirinha.

E ao som da concertina de roga entre parras amadurecidas lá íamos trec-trec cortando os cachos daquele ritual como se trabalhar todos os dias naquela rotina de socalcos sobe e desce fosse divertido e o desporto preferido daqueles moçoilos que carregavam os pesados contentores de plástico negro ao ombro. E foi aí que me passou pela vistinha aquele pedaço de néctar dos deuses de peito descoberto mas sem a paneleirice de ter rapado os pêlos do peito e com as cuecas a espreitar das jeans como se fosse um cordel a sussurrar puxa-me. Aquele moreno latino exalava a pujança da juventude sem músculos excessivamente vincados e a cada passagem sua lá eu desferia cotoveladas ou pisadelas adolescentes na minha amiga entre risinhos e gula aparada quando ela me fechava a boca para não entrar mosca.

Chegada a hora de almoço do tradicional bacalhau frito no chão daquelas vinhas alapei-me a seu lado para beber directamente da sua boca a história de que não era romeno como a maioria dos que ali acartavam mas filho de emigrantes em França que seguindo conselho da sua tia empregada de longa data naquela casa vinícola aproveitava as férias para juntar um pecúlio de 30 euros ao dia para as noitadas parisienses do resto do ano e como quem não quer a coisa deixou escorregar no seu português adocicado de sotaque gaulês que tinha mais de 18 anos. E naquela encosta puxei então da minha predilecção por chats até falar do pisar de uva deles nas roupas da dona em noites enluaradas para o convidar a terminar aquele dia vinhateiro com uma dobradinha alfacinha em que me podia esmagar todos os bagos. E ele disse que sim.



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