No escurinho do cinema

(a resposta da Hipatia ao Desafiómetro )

[imagem daqui]

Acho que não era bem isto que querias que eu contasse sobre as minhas aventuras no escurinho do cinema. Mas, de certo modo, estes motes servem também para enfrentarmos as nossas vergonhas íntimas. E esta, minha amiga, tem dimensões perversas, tendo-me inclusive feito questionar qualquer sentimento que me prendia ao gajo sentado mesmo ali à minha beira.

É que nem bem tinham passado cinco minutinhos de filme, a cabeça resvalou-lhe para trás – e lembras-te como eram antigamente as cadeiras dos cinemas? – e a boca abriu-se. A partir dai, por entre as cenas do filme, mais do que a banda sonora, começou a ouvir-se um monumental e altivo ronco.

No escurinho do cinema, fingi que estava sozinha e à saída tentei tornar-me invisível.

É que do escurinho do cinema não sobram só histórias lindas :)


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