O amor não é cego


Sem título

O teu corpo como um livro
escrito em braille,
Nausica, deixei-o
no capítulo primeiro.

Inútil é pensar
nos parágrafos de luz
que prometias.
Feito está o erro.

Não é cego o amor:
é cego quem o troca
pelo hás de bem amado
da sua escuridão.

José Miguel Silva, Ulisses já não mora aqui, Lisboa: & etc, 2002

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