Ou é ou não


Já não bastam as maçadas do dia a dia e ainda me havia de calhar um gajo-orçamento-de-estado. Calhar não é bem que fui eu que o elegi. Medi foi mal as tendências e as políticas que o enformavam.

No início as palavras caiam-lhe em catadupa e se bem que o meu rabo temesse ser arrastado naquela cascata, tanta água sempre nos lava todinhas e naquela imprudência encharcada da paixão uma gaja está lá a tomar atenção a cada gota.

Montei a asneira e só com o passar do tempo me apercebi da pequenez do crescimento. Não do coiso que crescia mais ou menos sempre o mesmo quase independente do que lhe desse à manivela mas da coisa a que se conviu chamar relação que desembocava num clima de estagnação, o trivial e sempre o mesmo que a nossa vida não é isto. As pequenas atenções do começo sofreram uma inflação de preguiça e acabavam por nunca ser repostas. O poder de aquisição de alegrias especiais e prazeres particulares e intransmissíveis como partilha de passados e nomes próprios de usar na cama ia diminuindo de dia para dia e vai daí que um dia fiz dia de Santa Maria e acabei por pôr os pés à parede recebendo o não é nada até acompanhado da esmola do ramo de flores fresquinho como um OE para garantir a continuação do voto de confiança. E como para mim o crescimento da intimidade ou é ou não é recusei a caridade e aviei as malas que o futuro está na emigração.


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