Magusto quente


Só não choviam gatos e cães porque ainda era no tempo do império romano e os gentlemen bretões eram considerados uns bárbaros. Martinho seguia devagar na sua mula que quanto mais tempo passava no exército mais as condições pioravam e naquela condução modorrenta teve ocasião de olhar para o lado e ver debaixo de uma arcada uma moçoila de carnes firmes e mamas opulentas que o trapo branco completamente molhado que a cobria não deixava os seus olhos enganarem-se. Era uma autêntica madonna que mesmo de cabelos soltos e desgrenhados era uma apetecível dádiva dos deuses.

Desmontou e acercou-se da mendiga que tiritava envolvendo-a em abraços para a aquecer que ela não recusou. Largou-a e num gesto que já adivinhava hollywood e quiçá bollywood puxou a sua capa vermelha e rasgou-a ao meio para depositar uma metade sobre a cabeça e os ombros desnudos da rapariga aconchegando-a àquele veludo. Tomou-a nos braços para a levar ao colo até à garupa da mula e levou-a para casa onde à falta de esquentador ou caldeira eléctrica para lhe dar um banho quente a convidou a despir as roupas húmidas frente a uma lareira que ateou e onde colocou umas castanhas a assar que isso ao menos tinha sempre de sobra em casa por mor do castanheiro do quintal. Ainda pensou em colocar uma pele de urso no chão para se estenderem mas qualquer coisa lhe disse que no futuro isso seria de muito mau gosto e foi buscar umas mantas tecidas de lã. Depois, para melhor aquecer a sua convidada encetou o pipo novo do vinho daquele ano que o anterior já acabara. Brindaram nus que Martinho era um homem solidário e ao sacudirem as cascas das castanhas roídas os mamilos dela eriçaram-se ao tocar na pele dele o que despoletou uma vontade de liça no punhal de carne que os protagonistas da história se enrolaram de tal forma em exercícios de aquecimento que nem deram conta que a chuva parara e o sol começara a bater nas janelas como se fosse verão.




[Imagem obtida no musée Rodin e gentilmente enviada por email]

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