Natalómetro nº 2: o cachorro do valter hugo mãe

[Foto © Patologista, 2008]

De valter hugo mãe, O apocalipse dos trabalhadores (QuidNovi, 2008)


«O cão surge a páginas 29. Vindo do nada, põe-se a seguir Maria da Graça rua fora (”afeiçoara-se aos tornozelos dela”) e logo o baptizam “portugal”, talvez por ser 5 de Outubro ou porque não passa de um “ridículo rectângulo castanho” (como o país). Sem forçar a metáfora, valter hugo mãe mantém o canídeo perto do centro da acção, cheio de pulgas, focinho caído, fazendo com que a sua melancolia atravesse e contamine toda a narrativa, até às linhas finais em que se cala, “apenas a ver” o culminar da tragédia, “tão fugazmente inteligente, intensamente ternurento e absolutamente imprestável”. (...) Mesmo escrito só com letras minúsculas, que aceleram e precipitam a leitura (como explicou valter em entrevista ao Público), este é um texto todo ele maiúsculo.»
José Mário Silva

«Escrita contagiante, com diálogos saborosíssimos. Merecido, e bem atribuído, o prémio Saramago.»
Patologista

«Agora, ainda a merecer destaque no plano (sempre inclinado) das novidades literárias, vhm assina agora este brilhante (não tenhamos medo da palavra) «O Apocalipse dos Trabalhadores». O título é tonitruante e soa mais a encíclica comunista em discurso final de Festa do Avante! de um qualquer secretário-geral dos camaradas portugueses... Porém, é título com força, que se cola ao pensamento e seduz. Estará para breve o juízo final?... A sombra que se desprega do título colide, porém, com uma toada irónica muito subtil e mordaz (sobretudo nos diálogos de Maria da Graça com São Pedro, ou aqueles entre Maria da Graça e Quitéria) que acaba por «salvar» o livro de um negrume geral e contagioso que parece afectar a produção literária portuguesa quando se propõe resumir o real quotidiano em que vivemos.»
Pedro Teixeira Neves

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