A linguagem da criação


Naquele tempo todas as mulheres nasciam e morriam virgens. A ordem genética condenava-as a reproduzirem-se por partenogénese e só nasciam meninas. Era tudo tão ordenado e regular que nenhuma delas se sentia mais próxima de uma do que das outras e viviam a monotonia dos dias sempre iguais sem paixões arrebatadas e desejos de prazeres carnais que marcassem a diferença dos tempos.

Só que um dia nasceu uma menina a quem não cresceram as mamas quando chegou à puberdade e que exibia um clítoris tão avantajado que lhe pendia a tapar a entrada da vulva e toda a tribo lhe tocava, pegava e remexia a querer confirmar com as mãos tal fenómeno perante os risinhos deleitados da sua possuidora. Ela afirmava mesmo que se sentia bem quando o faziam quase como quando comia as suas frutas favoritas e assim lançou a moda de todas esfregarem os seus clítoris e em vez de se catarem umas às outras passaram antes a massajarem-se aí mutuamente nas clareiras ensolaradas.

Um dia a da protuberância grande estando nessa arte do catanço e sentindo o braço esquerdo dormente de estar sobre ele tombou sobre a parceira e enfiou direitinho o seu fenómeno pela vagina da outra adentro e começou a mexer-se para trás e para diante para se libertar tanto mais que a outra gritava que se desunhava e ia uma sanguineira pelo chão que lhe cheirava a desgraça. Só que a danada da outra prendeu-a com as pernas cruzadas nas suas cruzes e por mais que desse ao rabo dali não saiu até a outra soltar um grito lancinante enquanto estrebuchava.

A tribo estava surpreendida a observar a cena e a ensanguentada aconselhou todas a experimentar e assim ficou lançou uma nova moda. Passados alguns meses houve nascimentos e para além das tradicionais meninas apareceram também bebés só com clítoris e sem abertura vaginal parecendo até que os lábios desta vinham já inchados. E doravante cada elemento da tribo passou a escolher com quem se catava gerando-se mesmo duas tendências: a dos inovadores, que só o faziam com quem era diferente e a dos conservadores, que só o permitiam com quem era igual a si.


[Imagem gentilmente enviada por Xico L.F.]

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