Ó meu rico menino!


Com este tempo de cão que tem estado custa-me ver os pais natal estendidos de manhã à noite em cada janela como se nem houvesse uma alma caridosa para os pôr a escorrer dentro de casa. Até parece castigo por um dia termos acreditado neles.

E parece-me algo contraditório termos importado esta tradição para depois os maltratarmos , deixando-os ali a escorrer com a roupa que trazem no corpo. Tanto mais que o património português sempre consagrou o Natal como a época do Menino Jesus, nas palhinhas deitado. E se hoje em dia ainda no interior de alguns lares o conservamos num presépio porque não voltar a pô-lo na moda ostentando-o nas nossas janelas?

Não existe o problema das roupas que o Menino Jesus está nuzinho no conforto da sua pele e seria mais animado o matinal sair para a rua contemplando prédios e prédios cheios de meninos de pilinhas ao léu a sorrirem para nós das janelas, varandas e varandins. Que até podiam estar acompanhados de madonas de robustos peitos a aleitá-los.


[Foto © Paulo Madeira, 2006, Sem palavras]

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