Tente-não-caias


O gajo deixava a pele em campo como se não lhe custasse como aos outros suster o galfarro ali já a suar aguadilha naquele tente-não-caias e prolongava os preliminares em beijos e esfreganços de língua por tudo quanto era lado com a resistência de um bailarino. Tinha aliás uma técnica da paradinha na penetração que aumentava a salivação do desejo e potenciava o orgasmo como uma eterna ternura psicadélica.

Talvez a inquietação que me espirrava dos olhos por entre as baforadas do cigarro final o tenha levado uma vez a dissecar a razão de tanto aguenta e não respinga. Por mor da genética herdara uma biopsia semestral à próstata e eu que nem a tenho senti logo o cu apertadinho. Por via de um aparelhómetro faziam-lhe 12 cortes singelos na dita. A maioria das vezes pela natural abertura traseira. Mas também era possível fazer penetrar o gingarelho pela frente só que a largueza de caminho não é tanta que basta olharmos para a glande e ver que a dificuldade começa logo ali naquela entrada minúscula. Para já não falar que nos dias seguintes dói como qualquer corte a cicatrizar e se bem que nos podemos sentar mais de esguelha caso se tenha escolhido a retaguarda já é uma aflição pousarmos-nos numa cadeira quando se optou pela solução frontal. Sobretudo porque o jogador está lesionado interiormente o que o afasta dos relvados mais de uma semana.


[Foto © Peter de Mulder]

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