Thriller do anos 80


Vivia-se a febre da Lagoa Azul e dos amores paradisíacos com cabana incluída e tudo, protagonizados por princesas morenas de olhos aguarelados de mar e príncipes loiros de pueris caracóis mas no tradicional estereotipo da maior altura do macho, recuperando para a década de 80 a magia dos contos de fadas num cenário exótico que fazia esgotar dias a fio a bilheteira do Monumental.

Ele e a minha melhor amiga insistiram tanto e de forma tão persistente que me rendi à maioria e lá fomos quatro à sessão da tarde que tal slow fílmico implicava engomar cuecas a pares. A plateia estava apinhada de casalinhos e bandos de raparigas ruidosas de excitação. Ele era moreno de cabelo escorrido e penteado para o lado e apenas mais dois dedos de cabeça tinha que eu o que a meus olhos de azeitona preta portuguesa era perfeitamente aceitável e bem-aventurado naquela obscuridade do cinema a infiltrar a sua mãozinha nas minhas pernas . Contudo, atalhei-lhe as investidas segurando-lhe a mão a que ele retorquiu de polegar com cócegas nas minhas palmas e então puxei-lhe os dedos para lhe sugar o médio após uma circum-navegação de língua no topo e fui repetindo nos restantes nove, um a um. Quando larguei o último mindinho com a pele já a enrugar de tanto ser chupado pousei uma das minhas mãos no leme para avaliar da rota de navegação e sussurrei-lhe que se era para mergulhar na lagoa que não a da tela talvez pudéssemos zarpar nos ventos do intervalo.


[Imagem daqui]

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