Joaninha voa voa


Joaninha voa voa/Que o teu pai está em Lisboa
A tua mãe no Moinho/A comer pão com toucinho
Joaninha voa voa/Que o teu pai está em Lisboa
Com um rabinho de sardinha/Para comer, que mais não tinha



Agora só me lembra esta lengalenga dos meus tempos de meninice quando sem pudícia de fugir à fome das aldeias em que se repartia uma sardinha por quatro se emigrava para Lisboa. Só depois as bilheteiras dos cinemas se encheram de filas para ver o Último Tango em Paris ou Emanuelle que há atrasado eram filmes proibidos. Só que agora com o regresso aos pulinhos dos gafanhotos do pudor dos brandos costumes pátrios para censurar corsos carnavalescos e para apreender livros cujas capas reproduzem nus e respectivas partes pudendas de quadros expostos em museus sob o rótulo de pornografia até estou vai não vai para aconselhar a joaninha a voar para fora desta Lisboa capital das aldeias.

Enquanto por mor de não criar desacato não retiram do Largo do Barão de Quintela a estátua de Eça segurando uma mulher nua da cintura para cima sempre me contento a ler Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade.


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[Fotos © Paulo Madeira, 2008, Joaninhas; gif gentilmente enviado por Xico L.F.]

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