Dança embottada

Porque António Botto partiu há 50 anos .

Balofas carnes de
balofas tetas
caem aos montões
em duas mamas pretas
chocalhos velhos a
bater na pança
e a puta dança.

Flácidas bimbas sem
expressão nem graça
restos mortais de uma
cusada escassa
a quem do cu só lhe
ficou cagança
e a puta dança.

A ver se caça com
disfarce um chato
coça na cona e vai
rompendo o fato
até que o chato
de morder se cansa
e a puta dança.

Os calos velhos com
sapatos novos
fazem-na andar como
quem pisa ovos
pisando o par de cada
vez que avança
e a puta dança.

Julga-se virgem de
compridas tranças
mas se um cabrito
de cornadas mansas
abre a carteira e
generoso acode
a puta fode.

Inédito de António Botto, cedido por Francisco Esteves para Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica , Lisboa: Antígona/Frenesi, 2000

[Imagem gentilmente enviada por Paulo Vinhal]

E várias vozes se desembotaram ao desafio:

sagher
dança puta dança
nunca pares de dançar
e em face de grande lança
ajoelha-te a orar


OrCa
uma voz num cesto
de entrançado vime
e por mais que rime
e por mais que incesto
vejam lá que ri-me
de tão fino estro...


Erecteu
Porra Maria
ind'há quem
dedenhe poesia,
vê lá bem!

Maria Árvore
A mordacidade do Botto
fez logo em poesia três saltar
que não cai em saco roto
que agradeço e vou já postar

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