Espera maridos*


De um marido espera-se tudo. Já o dizia a minha avózinha e até punha as mãos no lume que já a avó dela também o dizia. Espera-se que ele acerte no centro da sanita mas deixe a tampa levantada que é uma tradição oral passada de geração em geração quase como o brandy Constantino. Supõe-se que ressone e progressivamente terminada a função que institui o casamento caia redondo para o lado a roncar. Aguarda-se que mais tarde ou mais cedo seduza outras mulheres com olhares, palavras e actos que por muito que queiramos acreditar no contrário a média estatística apurada de orelha entre histórias de vida das amigas é um valor seguro. Espera-se que depois nos faça ingressar no clube das divorciadas entre vulgares insultos e contas tostão a tostão. De um marido espera-se tudo como se esse destino já viesse inscrito no código genético de cada um de nós e fosse obrigatório como o cartão de cidadão.

Agora quando uma preciosa parte de nós que com tanto esforço e carinho poupámos confiadamente e a entregamos a um banco numa dedicada relação comercial e vai na volta este nos põe os cornos, não aceitamos que seja normal, dahhhhh...



[Foto © Insomnia, 2007]
* Inspirado nesta notícia

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