O joelho de Aquiles


Joelho


Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento


Maria Teresa Horta, Só de Amor, Lisboa: Quetzal Editores, 1999


[Foto © Paulo César, 2007, framed]

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Na próxima 3ª feira, dia 10, às 18:30, será apresentado Poesia Reunida de Maria Teresa Horta, na Casa Fernando Pessoa

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