Louvor


Estou à rasquinha. Mesmo. Com as pernitas e a entremeada já a tremer na fricção. Mas caraças que só levanto as nalgas desta cadeira depois de lhe escrever uma carta de amor. É que não é todos os dias que se encontra um gajo que saiba fazer minetes e essa qualidade tem de ser louvada como os feitos de Nuno Álvares Pereira. Tenho de lhe transmitir como é único, ou quase vá lá, à laia de uma carta de recomendação para memória e mulheres futuras.

A chatice é que estou aqui às voltas com aquelas metáforas do mar e das rochas para ficar bonitinho e só me bate nos olhinhos aquela imagem dele afogado entre as minhas coxas, muito insistente com a ponta da língua como quem quer sacar mexilhões da rocha e varre-se-me tudo como se estivesse a boiar. Não é que o seu mais que tudo fosse uma fraca figura que apesar do primeiro impacto daquela pele por cima à laia de saco de serapilheira desapertado o facto é que puxadinha para baixo mostrava um carnudo cone para ficar alambazada. Diria até que me lembrava um tortulho mas tirei logo esta imagem da minha cabeça que depois como é que os poderia partir para mexer com ovinhos?...

E como já não consigo estar quieta com o cu na cadeira vou é resolver isto de uma assentada já escrevendo-lhe que como homem, cumpriu com lealdade as funções que lhe foram confiadas.


[Ilustração © David Palumbo, 2008, These Things Really Work! , Óleo]

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