O respeitinho é muito bonito


Como hoje é o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, lembro-me de todos os locais onde já fui muito feliz na companhia dos diversos monumentos que admirei, com genuínos gemidos de sim querido, força querido, vai todo, ai jesus, seguidos dum urro descomunal ou de um silêncio expirado.

Contudo, isto não quer dizer que a História não seja mais volúvel do que eu que bem a vejo a beijar a boca de qualquer um que queira fazer uso dela. Às vezes, até é capaz de desmentir que D. Sancho II andava sempre com a tropa de rijos moçoilos da Ordem de Santiago em altas cavalarias por esse país fora ou que a D. Isabel era mesmo uma Santa e assim encaminhou o inspirado D. Dinis para canções de amor a todo o rabo de saia e à arte de bem cavalgar toda a sela que mais tarde sugerirá a um outro rei um livro que foi top de vendas nacional. Até serviu o linguarudo do Fernão Lopes para dizer que o D. Pedro, aquele Romeu da D. Inês, era biscoito por gostar de andar no Rossio à cata de moços. Isto já para não falar que encobriu as mesmas inclinações ao louro imberbe chamado Sebastião e ao Henrique do chapéu grande, embora esse fosse mais cativado pelos pescadores algarvios antepassados do Zézé Camarinha e pelos marinheiros de peitos musculados e tisnados pelo sol. Até com o D. João V lhe adensou os romances , particularmente com a Madre Paula e o seu convento de meninas, não sendo estranho que ainda hoje se glorifique a marmelada de Odivelas, e repetiu a mesmíssima coisa com o filho deste, o D. José, galhardo cavaleiro de nobres alcovas e donzelas e única justificação do cavalo que lhe dedicaram no Terreiro do Paço que aliás só verá a sua obra de mestria retomada por D. Carlos.

Mesmo sem olhar para um qualquer menir de Reguengos de Monsaraz creio que é uma ciência encontrar sítios, como por exemplo as guaritas dos castelos ou os jardins do Convento de Cristo, para penetrar no monumento que está ali à nossa frente e fazer história viva.

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